Minha História

Viva o incrível

Eu, de coração, sei que toda minha contribuição com mulheres nasceu da minha própria história como  mulher, do meu próprio sofrimento feminino, para ser mais precisa. Comecei a trabalhar tudo isso, em mim, após o auge de uma crise existencial, aos 40 anos.

Eu estava muito infeliz, sem saber por onde seguir, enfrentando uma crise em meu trabalho no mundo corporativo, onde atuava como engenheira. Me sentia muito perdida, solitária e com uma enorme insatisfação dentro de mim. No entanto, a imagem que transparecia às pessoas era uma imagem de uma mulher forte e de liderança.

Em meus relacionamentos familiares, a imagem de mulher forte ainda se fazia presente. Fosse em relação ao meu marido, ou à minha mãe, por exemplo, minhas críticas e cobranças eram frequentes. Tudo o que eu fazia era como se fosse para ser melhor que eles, mas ao contrário da mulher forte, essa atitude gerava em mim um sentimento de insuficiência muito grande. Em resposta à esse sentimento, eu chegava a verbalizar que se meu pai, que havia morrido quando eu tinha 16 anos, estivesse vivo, ele me apoiaria e validaria minhas decisões. No entanto, com muita raiva interna por ele ter me traído, me deixado aqui sozinha, eu transferia a responsabilidade dos meus fracassos, pro meu marido e minha mãe.

Experimentei a maternidade bem jovem e, aos 20 anos, nasceu minha primeira filha. Engravidei mais duas vezes. Foram experiências de muita dor, já que esses filhos não chegaram a nascer. Apesar de terem sido experiências similares, à cada um deles foi dado, individualmente, um lugar exclusivo de amor em meu coração. Após essas experiências traumáticas, engravidei mais uma vez e, aos 30 anos, nasceu minha filha mais nova.

Por muito tempo, neguei a mulher que sou, lutando para ser forte, anulando meu feminino. Essa negação, ocasionou sintomas físicos como hemorragias em meu útero, culminando em anemias constantes. Naquele momento, eu ainda não conseguia ver e/ou compreender como minha vida, na esfera profissional, poderia estar completamente ligada à minha história como mulher, filha, companheira, mãe.

E foi assim que comecei a mergulhar nessa minha jornada como mulher. Ou seja, só pude mergulhar nessa jornada olhando para tudo isso que foi vivido e para algumas outras histórias dolorosas em minha vida. Esta foi a maior lição que já recebi, reconhecer o valor de cada experiência, por mais dolorosa que fosse.

No fundo, a qualidade dos meus relacionamentos, fosse com meu casamento, meus filhos, minha família de origem, meu trabalho, se conectava, inevitavelmente, com minhas experiências. Elas me mostravam que eu não tinha objetivos próprios e reais em minha vida. O sofrimento era grande!

Então, você já entendeu como eu estava, certo?

O que eu queria era não sofrer como minha mãe, ou seja, ser como ela. Isso demandava uma enorme quantidade de energia de vida. Lutar contra era um objetivo equivocado.

Comecei a compreender que a força e a influência amorosa que uma mãe exerce sobre uma filha são infinitas. Fui compreendendo, também, depois de um longo caminho (da qual não vou me alongar aqui para vocês), o quanto existia da minha mãe em mim, mesmo naquilo que eu não gostaria de repetir.

Fui, pouco a pouco, anos depois, entendendo, através da minha história e da história de muitas mulheres, que somente a partir da reconciliação com a história de sua mãe uma filha pode olhar a si mesma como mulher. Por isso, não importa onde sua mãe esteja, se está viva ou não, ou se nem conviveu muito com ela. Eu quero te dizer que essa reconciliação, tão vital, deve ser feita de forma “interna”, “dentro do seu coração”, para que você tenha profunda paz.

Esse movimento interno que eu fiz até minha mãe foi definitivo para que eu começasse a ter relacionamentos com mais amor, compreendendo a importância de ter objetivos que atendam minhas necessidades.

Portanto, dentre tantas necessidades, surgiu a necessidade de contribuição para o mundo. O caminho que encontrei foi o de direcionar mulheres às suas próprias jornadas. Esse trabalho me fez buscar os propósitos essenciais nas bases da minha vida e de outras, na esfera do “eu”, da “família” e do “trabalho”.